Entre os exames complementares do trabalho, o teste de acuidade visual é um dos mais simples de fazer e um dos que mais geram dúvidas na hora de agendar. O trabalhador quer saber se pode usar óculos, o gestor quer saber se um resultado baixo impede a contratação e o RH quer entender para quais cargos o exame precisa ser pedido. Este artigo organiza essas perguntas em ordem prática.
Para quais cargos o teste de visão é pedido?
Não existe uma lista fixa de cargos que obrigatoriamente fazem o teste. Quem define é o médico responsável pelo PCMSO, a partir dos riscos identificados no inventário do PGR e das exigências de cada atividade. Em geral, o exame aparece quando a visão tem papel direto na segurança, como em:
- motoristas, operadores de empilhadeira e outras máquinas móveis;
- eletricistas e técnicos de manutenção que identificam cabos e componentes pequenos;
- trabalhadores em altura, que precisam calcular distâncias e localizar pontos de apoio;
- funções de inspeção, controle de qualidade e montagem fina;
- vigilância e atividades que dependem de perceber sinais à distância.
Se o RH não sabe se um cargo precisa do teste, a resposta deve estar no PCMSO. Se não estiver, é hora de revisar o programa com o médico responsável. Entender como esse documento é construído ajuda bastante: veja o artigo PCMSO: o que é e quem precisa.
Em quais exames ocupacionais ele aparece?
O teste pode ser previsto no admissional, nos periódicos, no retorno ao trabalho e na mudança de risco, conforme o que o PCMSO estabelece para a função. Na prática, as situações mais comuns são:
| Momento | Por que o teste faz sentido |
|---|---|
| Admissão | Registra a condição visual de partida e confirma que ela atende à função antes de o trabalhador começar |
| Periódico | Acompanha mudanças ao longo do tempo, que podem pedir correção de grau |
| Mudança de risco | A nova atividade pode exigir mais da visão, como ao passar para a operação de máquinas |
| Retorno ao trabalho | Útil quando o afastamento envolveu problema nos olhos ou condição que afete a visão |
Como orientar o trabalhador antes do exame
O teste é rápido e não exige preparo especial, mas alguns cuidados evitam remarcações e resultados que não refletem a realidade:
- levar os óculos ou lentes de grau que usa normalmente, inclusive os de perto, se tiver;
- avisar se usa lente de contato, para que o profissional saiba como conduzir a leitura;
- chegar descansado, se possível, já que noites mal dormidas e olhos irritados atrapalham;
- informar cirurgias ou tratamentos recentes nos olhos;
- levar laudos de oftalmologista, se houver, para o médico do trabalho considerar.
Uma orientação simples no e-mail ou mensagem de agendamento resolve a maior parte dos problemas. O trabalhador que esquece os óculos, por exemplo, pode ter um resultado abaixo do esperado que não corresponde à sua visão corrigida.
Também vale explicar ao trabalhador que o teste não é uma prova eliminatória. Muita gente fica nervosa, aperta os olhos ou tenta adivinhar letras, o que só atrapalha a medida. O recomendado é ler com calma e dizer quando não consegue identificar um símbolo.
Resultado baixo: o que acontece com o ASO?
Esta é a pergunta mais comum do RH. A resposta curta é: um resultado abaixo do esperado não significa, automaticamente, inaptidão. O teste de acuidade é uma triagem. Ele mostra como a pessoa enxerga naquele momento, com e sem correção, mas não diagnostica doenças nem prescreve lentes.
O médico do trabalho analisa o resultado junto com o exame clínico, a função e os riscos envolvidos. Diante de uma alteração, os caminhos possíveis incluem:
- considerar o trabalhador apto, quando a visão corrigida atende ao que a função exige;
- orientar a procura de um oftalmologista para atualizar o grau ou investigar a causa;
- aguardar uma avaliação especializada antes de concluir, em funções em que a visão é crítica para a segurança.
A decisão é médica. A empresa recebe a conclusão sobre a aptidão para a função, e não um julgamento sobre a visão da pessoa em geral. O critério considera o cargo, o restante da avaliação e a avaliação do médico do trabalho.
E os motoristas?
Para quem dirige, existem duas avaliações independentes. A habilitação tem exigências próprias, definidas pela legislação de trânsito e avaliadas no processo da carteira de motorista. O exame ocupacional, por sua vez, segue o PCMSO e olha para a função na empresa. Uma não substitui a outra: ter a habilitação em dia não dispensa o teste previsto no programa, e o exame ocupacional não serve para renovar a carteira.
Para funções que envolvem condução de veículos, é comum que o PCMSO combine a acuidade visual com outros complementares, de acordo com os riscos da atividade.
Percepção de cores: é a mesma coisa?
Não. A acuidade visual mede a nitidez, ou seja, a capacidade de distinguir detalhes a uma certa distância. A percepção de cores é avaliada com pranchas específicas e só é pedida quando a função depende de distinguir sinais coloridos, como cabos elétricos, painéis de controle ou sinalização. Se o seu cargo exige essa avaliação, ela deve estar indicada no PCMSO.
Como a Medicina do Trabalho 4 pode ajudar
Realizamos ou organizamos o teste de acuidade visual, de preferência na mesma visita do exame clínico e dos demais complementares da função, e o resultado segue para o médico do trabalho compor o ASO. Também apoiamos a revisão do PCMSO para que cada cargo tenha os exames certos. Se a empresa está estruturando a rotina de contratação, o roteiro do exame admissional complementa este conteúdo. Agende pelo WhatsApp (62) 3661-0052 ou conheça o exame de acuidade visual.