Algumas cirurgias trazem mudanças grandes na rotina, na alimentação, na imagem corporal e nas relações. A bariátrica é o exemplo mais conhecido, mas outras operações também podem levar a equipe médica a pedir uma avaliação psicológica antes do procedimento. O objetivo não é "aprovar" ou "reprovar" o paciente, e sim entender como ele está chegando a esse momento, se compreende o que vai acontecer e quais apoios terá durante a recuperação.
Se você recebeu esse pedido, este guia ajuda a se preparar. Para conhecer o serviço, veja a página do laudo psicológico pré-operatório.
Por que a equipe médica pede essa avaliação
A forma como a pessoa vive o antes e o depois da cirurgia influencia a recuperação. Expectativas muito idealizadas, pouca informação sobre os cuidados necessários, falta de rede de apoio ou sofrimentos emocionais sem acompanhamento podem tornar o pós-operatório mais difícil. A avaliação psicológica ajuda a identificar esses pontos com antecedência, para que possam ser trabalhados.
Em cirurgias como a bariátrica, a avaliação costuma fazer parte do preparo multiprofissional, ao lado de consultas médicas, exames e acompanhamento com nutricionista. O que precisa constar no laudo é definido pela equipe médica responsável.
Antes do primeiro encontro: o que separar
- o pedido da equipe médica e, se houver, o modelo ou a lista de itens que o laudo deve contemplar;
- informações sobre a cirurgia prevista: tipo, data aproximada, nome da equipe;
- relatórios de acompanhamentos anteriores com psicólogo ou psiquiatra, se existirem;
- a lista de medicamentos em uso;
- documento com foto.
Vale também refletir um pouco antes: por que decidi fazer essa cirurgia? O que espero que mude? Quem vai estar comigo na recuperação? Não é preciso ter respostas prontas, mas pensar nisso torna a conversa mais rica.
O que costuma ser conversado
Os encontros são conversas, e não provas. Os temas mais frequentes incluem:
- o que você sabe sobre a cirurgia, os riscos e os cuidados do pós-operatório;
- suas expectativas sobre a vida depois do procedimento;
- sua rotina, seu trabalho e as pessoas que fazem parte do seu dia a dia;
- a relação com a comida, no caso das cirurgias ligadas ao peso;
- como você tem lidado com ansiedade, tristeza ou outras emoções.
Quando ajudam a responder ao que a equipe pediu, podem ser aplicados instrumentos psicológicos, sempre entre os aprovados pelo Conselho Federal de Psicologia. Não há como estudar para eles.
Em alguns casos, a família ou uma pessoa próxima pode ser convidada a participar de parte do processo, principalmente quando a recuperação vai depender de apoio em casa. Isso é combinado previamente com você. O tom dos encontros é de acolhimento: o psicólogo está ali para compreender a sua história, e não para julgar suas escolhas ou seus hábitos.
Lidando com a ansiedade antes da avaliação
Sentir-se ansioso é natural, especialmente quando a cirurgia é muito desejada. Algumas ideias que ajudam:
| Pensamento comum | Outra forma de ver |
|---|---|
| "Se eu falar das minhas dificuldades, não vou poder operar." | Falar com sinceridade permite que o psicólogo indique apoios que tornam a cirurgia mais segura. |
| "Preciso parecer muito confiante." | Dúvidas e medos são esperados; o importante é reconhecê-los. |
| "Se indicarem terapia, é porque fui reprovado." | Acompanhamento é uma forma de preparo, não um impedimento. |
Se, em algum momento, o sofrimento ficar muito intenso, procure ajuda. O CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, e em situações de emergência o SAMU pode ser acionado pelo 192.
O laudo: o que contém e quem decide
Ao final, o psicólogo elabora o documento seguindo as normas do Conselho Federal de Psicologia. Ele traz as informações necessárias para a finalidade da avaliação, sem expor detalhes da sua vida que não sejam relevantes. Em geral, o laudo fica com você, que o entrega à equipe cirúrgica. Antes disso, há uma conversa de devolutiva para explicar as conclusões e as recomendações.
Se a avaliação identificar a necessidade de acompanhamento antes da cirurgia, o laudo pode trazer essa recomendação. Isso não significa que a cirurgia foi cancelada, e sim que há pontos a fortalecer para que o pós-operatório seja mais seguro. Muitas pessoas relatam que esse tempo de preparo fez diferença na forma como viveram a recuperação.
É importante lembrar: a decisão sobre a cirurgia é da equipe médica junto com o paciente. O laudo psicológico é uma das informações consideradas, ao lado dos exames e das avaliações clínicas, como o eletrocardiograma e outros exames pedidos no preparo. O artigo por que o médico pede o eletrocardiograma mostra como esse exame entra na avaliação pré-operatória. Para entender as diferenças entre os documentos emitidos por psicólogos, veja tipos de laudo psicológico.
Depois da cirurgia: o cuidado continua
As mudanças não terminam no centro cirúrgico. Nos meses seguintes, podem surgir desafios de adaptação: novos hábitos alimentares, mudanças rápidas no corpo, expectativas que não se confirmam no ritmo imaginado, alterações nas relações. Manter acompanhamento psicológico nesse período, quando indicado, ajuda a atravessar essas mudanças com mais tranquilidade. Seguir as orientações da equipe médica e nutricional, comparecer aos retornos e conversar abertamente sobre dificuldades também fazem parte de uma recuperação bem cuidada. Na própria clínica há psicoterapia individual para quem precisar.
Preparo, disponibilidade e prazos são informados no agendamento. O número de encontros varia conforme a cirurgia e o que a equipe médica solicita.
Como a Medicina do Trabalho 4 pode ajudar
Realizamos ou organizamos a avaliação psicológica pré-operatória em encontros acolhedores, atentos aos itens solicitados pela equipe cirúrgica, com devolutiva e laudo para você levar ao cirurgião. Consultas médicas, nutricionista e exames podem ser organizados no mesmo lugar. Atendemos Goiânia e região metropolitana. Agende pelo WhatsApp (62) 3661-0052 ou conheça o laudo psicológico pré-operatório.