A espirometria é o exame que mede quanto ar uma pessoa consegue soltar após encher bem os pulmões e com que rapidez ela faz isso. No trabalho, ela é usada para acompanhar quem está exposto a poeiras, fumos, vapores e outros agentes que podem afetar a respiração. Diferente de muitos exames, o resultado depende diretamente do esforço e da técnica de quem sopra. Por isso, entender o preparo e o funcionamento faz toda a diferença.
Para o RH, conhecer esses detalhes ajuda a orientar o trabalhador no agendamento, evitar faltas e remarcações e entender por que o mesmo exame é repetido ao longo dos anos. Para o trabalhador, saber o que vai acontecer reduz a ansiedade e melhora a qualidade do sopro, o que torna o resultado mais confiável.
Quem faz e por quê
A indicação vem do PCMSO, com base nos agentes respiratórios identificados no inventário de riscos do PGR. Marmorarias, obras, cerâmicas, serralherias com solda, indústrias químicas, armazéns de grãos e serviços de pintura estão entre os ambientes em que o exame aparece com frequência. Também pode ser pedido para quem vai usar respirador, dentro da avaliação de aptidão prevista no Programa de Proteção Respiratória, a critério do médico.
O objetivo não é apenas encontrar uma doença. É perceber, ao longo do tempo, se a função pulmonar está mudando de um jeito que sugira que as medidas de controle no ambiente não estão funcionando bem.
Como se preparar: orientações gerais
As instruções exatas são enviadas no agendamento, e o trabalhador deve segui-las. Em linhas gerais, os cuidados costumam envolver:
- evitar fumar nas horas que antecedem o exame;
- não fazer refeições muito pesadas logo antes;
- evitar exercícios intensos imediatamente antes do exame;
- usar roupas que não apertem o peito e a barriga;
- informar o uso de medicamentos para asma ou bronquite, que podem ter orientação específica;
- avisar sobre cirurgias recentes no tórax, abdome ou olhos, problemas cardíacos recentes e infecções respiratórias dos últimos dias.
Gripe na semana do exame? Uma infecção respiratória recente pode alterar o resultado. Nesses casos, o profissional pode preferir remarcar para que o exame reflita a condição habitual do trabalhador. Preparo, disponibilidade e prazos são informados no agendamento.
O que acontece durante o exame
O exame é feito sentado. O profissional registra peso, altura e idade, que servem para calcular os valores esperados. Depois, explica a manobra: encher o peito ao máximo e soprar no bocal com toda a força, de uma vez, e continuar soprando até não haver mais ar. Um clipe fecha o nariz para que o ar saia só pela boca.
A manobra é repetida algumas vezes. Isso não significa que o trabalhador está errando: o aparelho precisa de curvas parecidas entre si para considerar o exame confiável. O profissional orienta e incentiva durante cada sopro, porque parar antes do fim ou hesitar no início muda o resultado.
O exame inteiro costuma ser rápido, e o trabalhador pode voltar às atividades normais logo depois, salvo orientação diferente do profissional. Se sentir tontura passageira após os sopros, basta permanecer sentado por alguns minutos. Em seguida, as curvas são analisadas e laudadas, e o resultado é encaminhado ao médico do trabalho, que o considera junto com o exame clínico antes de concluir o ASO. Quando o PCMSO prevê outros complementares, o ideal é que todos sejam feitos na mesma visita, reduzindo o tempo do trabalhador longe do posto.
O que pode invalidar a espirometria
Alguns problemas são comuns e fáceis de evitar:
- soprar com pouca força no início, por receio ou timidez;
- interromper o sopro antes de esvaziar os pulmões;
- tossir durante a manobra;
- deixar o ar escapar pelos lados do bocal;
- chegar logo após fumar ou com crise respiratória.
Quando as curvas não atingem critérios mínimos de qualidade, o exame pode ser repetido em outro dia. Isso é melhor do que registrar no prontuário um resultado que não representa a realidade e que vai atrapalhar todas as comparações futuras.
O valor está no histórico, não em um exame só
Cada resultado é comparado com valores de referência para pessoas de mesma idade, sexo e altura. Mas, no contexto ocupacional, a comparação mais valiosa é com os exames anteriores do próprio trabalhador. Uma queda progressiva ao longo dos anos, mesmo que os números ainda estejam dentro da faixa de referência, pode ser um sinal precoce de que algo não vai bem.
| Situação | Leitura possível |
|---|---|
| Resultados estáveis ao longo dos anos | Função pulmonar preservada, compatível com bom controle da exposição |
| Queda gradual em vários trabalhadores do mesmo setor | Sinal para revisar exaustão, umidificação, respiradores e outras medidas do PGR |
| Alteração isolada em um trabalhador | Investigação individual pelo médico, considerando causas dentro e fora do trabalho |
Por isso, manter o exame na mesma clínica ou garantir que os resultados anteriores acompanhem o prontuário ajuda muito. Quando há poeiras minerais envolvidas, a espirometria costuma andar junto com o raio-X de tórax no padrão OIT.
O que a empresa faz com os resultados
A empresa recebe o ASO com a conclusão sobre a aptidão. Os dados detalhados ficam no prontuário médico, sob sigilo. Ainda assim, o médico coordenador do PCMSO usa a visão de conjunto, sem identificar pessoas, para recomendar melhorias. Os resultados também alimentam o evento S-2220 do eSocial, conforme o Manual de Orientação do eSocial vigente.
Se os exames sugerirem que a proteção respiratória não está funcionando, o próximo passo pode ser revisar o programa de respiradores. O artigo PPR: quando a empresa precisa explica como esse programa é organizado.
Como a Medicina do Trabalho 4 pode ajudar
Realizamos ou organizamos a espirometria ocupacional, preferencialmente na mesma visita da consulta e dos demais complementares, com orientações de preparo enviadas antes e laudo encaminhado ao médico do trabalho. Atendemos empresas de Goiânia e região metropolitana. Agende pelo WhatsApp (62) 3661-0052 ou conheça a espirometria ocupacional.